TO AXL ROSE: THE LETTER WE OWE YOU

junho 14, 2017Liliana Miguez Garcia

written in two voices

It was last week that, in an instant that I froze in my memory forever, I returned to be 12 years old and you were 30 again. It was when, among the crowd in ecstasy, I saw you appear on that giant stage, when your voice made me run back the 25 years that separated our paths, that this feeling of synchrony imposed on everything else. "It's so easy" marked the apotheosis of the entrance and was the beginning of a journey back in time, in my history and in the history of Guns N' Roses.
Because this concert was a piece of history. A story that is shared with many thousands (I fear to fail for modesty) of people around the world, who grew up with your band's songs, who cried and laughed, who learned a little of what life could be. When you are 12 years old, all words seem to matter too much, and those you sang became personal history flags.
Did you know that on a rainy day in November, I started to draw a smile on my face? Can you imagine how often I sang Estranged while I was 28?
The songs succeeded, in a soothing eagerness of those who waited too long. And perhaps because of this, all absences were noticed, too noticed. Despite all the criticisms that are often directed at you Axl, you have been blameless. You asked us if we agreed that the evening was fine and it was enough to have us by your side for the three hours we spent together. 
Do you remember, Axl, when in St. Louis insane hell hit the stage when a guy kept filming you when you asked him to stop? Cameras are so weak at capturing the essence. I couldn´t record the concert, Axl. It was too good and i just couldn´t.
Twenty-five years ago, if my path had crossed yours, I would have also crossed over with Chris Cornell's. Soundgarden was the first band in the concert of Guns N' Roses in the stadium of Alvalade and this time you brought him back to us again. So that we would hear it one more time. And You gave us the smile followed by a shrug, during “Coma”, as you ended the verse "I never really wanted to live" and we remembered that everything that you have passed has not been easy. Deep down, it never was, right Axl? And, maybe that's what brings us so close. This deep empathy with the sufferings of existence. As I once saw in Slash's t-shirt "Life's a bitch and then you die". But it is an existence that also has very good things. Like the concert last week. And it is through them that it makes sense to yell, as often as necessary, the “Get in the ring”. And that is why we ask that this is not the last farewell.
Because that's how you are Axl. Good and bad. Angel and demon. Human and unbearable. And although you did not always receive it in your life, you managed to give us the understanding and support that we needed, you managed to transform into art the toxicity of your life. And it became part of us. The good part of us.

“If you need a shoulder
Or if you need a friend
I'll be here standing
Until the bitter end.”


From Liliana Garcia and Catarina Janeiro (the two best childhood friends you've also gathered).

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A carta que te devemos – escrita a duas vozes

Foi na semana passada que, num instante que congelei na minha memória para sempre, eu voltei a ter 12 anos e tu voltaste a ter 30. Foi quando, por entre a multidão em êxtase, te vi surgir naquele palco gigante, quando a tua voz me fez recuar os 25 anos que separaram os nossos caminhos, que este sentimento de sincronia se impôs a tudo o resto. O “It´s so easy” marcou a apoteose da entrada e foi o início de uma viagem no tempo, na minha história e na história dos Guns N' Roses.
Porque este concerto foi um pedaço de história. Uma história que é partilhada com largos milhares (temo pecar por modéstia) de pessoas por esse mundo fora, que cresceram com as músicas da tua banda, que choraram e riram, que aprenderam um pouco do que a vida poderá ser. Quando se tem 12 anos, todas as palavras parecem importar demasiado, e as que cantavas tornaram-se estandartes de história pessoal.
Será que sabes que um dia de chuva em Novembro passou a desenhar-me um sorriso nos lábios?  Será que imaginas as vezes que cantei a Estranged enquanto tive 28 anos?
As músicas sucederam-se umas às outras, numa ânsia calmante de quem esperou demasiado. E talvez por isso, todas as ausências foram notadas, demasiado notadas. Apesar de todas as críticas que frequentemente te são dirigidas Axl, estiveste irrepreensível. Perguntaste-nos se concordávamos que a noite estava óptima e foi o suficiente para nos teres a teu lado durante as três horas que passámos juntos. Lembras-te, Axl, quando em St. Louis fizeste o inferno subir ao palco quando um tipo continuou a filmar-te quando lhe pediste para parar? As câmaras são tão fracas a capturar a essência. Não tive tempo para te filmar. Foi demasiado bom para que me tivesse lembrado. 
Há 25 anos atrás, se o meu caminho se tivesse cruzado com o teu, teria também cruzado com o do Chris Cornell. Soundgarden foi a primeira banda do concerto de Guns N' Roses no estádio de Alvalade e também agora o trouxeste de novo até nós. Para que o ouvíssemos mais uma vez. É no sorriso seguido de um encolher de ombros com que, durante a "Coma", terminas o verso “I never really wanted to live” que intuímos que tudo o que passaste não tem sido fácil. No fundo, nunca foi, pois não? E, talvez seja isso, que nos aproxima tanto. Esta tão profunda empatia com os sofrimentos da existência. Como dizia, em tempos, a t-shirt do Slash “Life´s a bitch and then you die”. Mas é uma existência que também tem coisas muito boas. Como o concerto da semana passada. E é por elas que faz sentido entoar, as vezes que forem necessárias, o "Get in the ring". E é por isso que te pedimos que esta não seja a última despedida.
Porque é assim que tu és Axl. Bom e mau. Anjo e demónio. Humano e insuportável. E, apesar de nem sempre o teres recebido na tua vida, conseguiste dar-nos a compreensão e o apoio que precisámos, conseguiste transformar em arte a toxicidade da tua vida. E isso passou a fazer parte de nós. Da parte boa de nós.

Liliana Garcia e Catarina Janeiro (as duas melhores amigas de infância que tu também voltaste a reunir).


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